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Voluntários trocam Natal com a família por boas ações nas ruas

Para distribuir todas as marmitas, cerca de cem voluntários rodam a cidade até o amanhecer.

Fernanda Gibran, 35 anos, a Fê, vai abrir mão da noite natalina com a família. Ela coordena desde 2016 o grupo “Ceia de Natal nas Ruas”, que distribui comidas a moradores de rua. “Montamos entre 600 e 700 kits com arroz de carreteiro, carne de porco, farofa, vinagrete, água, refrigerante, bolo de pote e panetone para distribuir”, diz. “Passamos das 8h às 20h do dia 24 cozinhando, e a entrega começa às 22h”, afirma.

Para distribuir todas as marmitas, cerca de cem voluntários rodam a cidade até o amanhecer.

Os preparativos para a ação começaram em agosto. Ao todo, são 170 quilos de carne, 80 quilos de arroz e 700 panetones e docinhos, além de 50 carros para a distribuição.

Fê afirma que apesar da correria esta é a noite mais gratificante do ano. “A gente volta para casa querendo resolver todas as pendências e desentendimentos”, diz.

Segundo Christian Braga, 55, um dos criadores do grupo, neste ano a ceia de Natal será entregue nas regiões do centro expandido, zona norte e zona leste. “Desde que meu pai morreu, em 2010, sentia que o Natal tinha perdido o sentido. Mas quando comecei a participar do Ceia, reencontrei o propósito de viver”, diz.

Na praça Outro coletivo que distribui refeições neste dia 24 é o Anjos da Cidade, criado há oito anos pela executiva Andrea Pludwinski.

A ação de Natal está prevista para esta terça, entre às 14h e 20h, na praça Olavo Bilac (Barra Funda). “Falei para minha filha que Natal é olhar o próximo, por isso é importante para mim trabalhar na rua nesta data”, diz a coordenadora do projeto.

O projeto, que no início tinha Andrea, a filha e um casal de amigos, hoje tem mais de cem voluntários.

A preparação de alimentos começou na segunda (23) e, a partir da manhã desta terça, a praça na Barra Funda foi decorada para a distribuição de lanches de salpicão, suco, água, kit de higiene e uma roupa nova para passar o Ano Novo.

Com a ajuda do grupo de voluntários, moradores de rua também podem ser atendidos por clínicas de recuperação de dependentes químicos e reestabelecer contato com a família.

UNIÃO DE RELIGIÕES

O Natal simboliza para religiões cristãs uma data de amor, solidariedade e união. Em comemoração a estes valores, as comunidades cristãs e muçulmanas de São Paulo irão se juntar na manhã desta quarta-feira para promover um café da manhã a moradores de rua e pessoas carentes da região da Mooca (zona leste).

O padre Júlio Lancellotti, da Igreja de São Miguel Arcanjo, diz que quem teve a ideia do café da manhã foi o sheik Rodrigo, da comunidade muçulmana. “Os muçulmanos enxergam Jesus como um profeta e amanhã [quarta-feira] as duas comunidades farão suas orações e depois vão compartilhar alimentos e festejar”, diz o padre.

São esperadas mais de cem pessoas em situação de rua para participar do café, que terá frutas, pão, leite, sucos e outros alimentos.

Para o sheik Rodrigo, o dia 25 de dezembro é uma oportunidade de mostrar as ações desenvolvidas pela comunidade muçulmana e, também, trabalhar a liberdade religiosa. “É importante para nós preservar a união em um país considerado laico e mostrar que é possível se respeitar e fazer o bem ao possível mesmo com as diferenças”, afirma.

Palhaço leva conforto para pacientes internados Esta época do ano também é especial para o mágico e palhaço Robson Pallazini, 52 anos, conhecido no Hospital Samaritano, em Higienópolis (centro), como doutor Samar. Há cinco anos, ele passa o dia 24 com pacientes internados.

“Nessa data, as pessoas estão mais sensíveis, necessitando de carinho e atenção. Acho importante levar um pouco de alegria.”

O mágico conta que cada paciente tem uma reação diferente às suas apresentações, que as crianças costumam se encantar e que os adultos se emocionam. “Independente da idade, se um paciente está triste e eu consigo fazer ele parar de pensar na dor, mesmo que por cinco minutos, isso já é suficiente fazer o meu Natal valer a pena”, afirma.

O palhaço frequenta o hospital semanalmente, mas no Natal ele sente que a energia das pessoas é completamente diferente. “Elas estão mais receptivas e emocionadas e o abraço é sempre mais forte”, afirma.

Amigos auxiliam digitador a comprar brinquedos Marco Villatoro, 56 anos, digitador na Polícia Civil, há 20 anos veste a roupa de Papai Noel para levar presentes a crianças carentes. “Queria muito ser pai e não posso. Por isso levo alegria para as crianças, principalmente àquelas que não têm condições financeiras”, afirma. “É um trabalho que não tem preço.”

Em sua família, o digitador da polícia afirma que já fez o papel de Papai Noel para os sobrinhos.

Villatoro diz que compra brinquedos e outros presentes com ajuda de amigos e que, a partir das 22h, visita casas de crianças em Santo André, no ABC Paulista, e da capital.

Ele relata que na noite de desta terça, trabalhando com crianças carentes, ele consegue sentir “o amor de Deus”. “É uma noite fantástica, não tem como colocar em palavras qual é a sensação”, afirma.

Nos finais de semana antes do Natal, Villatoro também sai pelas ruas da cidade vestido de Papai Noel e distribuindo flores e doces para as pessoas.

Fonte: Educadora AM

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